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sábado, 24 de novembro de 2012

34º Domingo do Tempo Comum



34º Domingo (Cristo Rei)
Introdução
As leituras deste “domingo de Cristo Rei” chama atenção de cada um de nós e de toda a comunidade cristã, para que compreendamos a profunda natureza da realeza de Jesus Cristo, “a razão da nossa fé”. Ele é o Rei, mas o seu reinado tem uma outra razão de ser.
O Mestre não diz: “o meu Reino não é neste mundo”, mas sim: “o meu Reino não é deste mundo”. Não diz: “o meu reino não é aqui”, mas sim: “o meu reino não é daqui”. Com efeito, o seu Reino é aqui na Terra até o fim dos séculos... Contudo, não é daqui, porque é peregrino no mundo” (Santo Agostinho, Comentários ao Evangelho de São João).
“O Reino de Deus não pode associar-se com o Reino do pecado... Tenha Cristo em nós o seu trono” (Orígenes, padre da Igreja, ano 185).

1ª leitura (Dn 7,13-14)

                Para facilitar melhor a compreensão dos dois versículos desse trecho (7, 13-14), faz-se necessário uma consideração precisa a respeito de todo o capítulo.
                Daniel na sua narração, chama atenção para alguns pormenores:
Ele começa dizendo (7,2-8): “Tive uma visão noturma... quatro feras gigantescas saíam do mar. Trata-se de Leão, urso, leopardo com quatro asas, uma outra com dez chifres. Em meio à visão, Daniel diz que viu também um ancião sentado num trono. E por aí segue a narração.
O que significa a presença de desses animais no contexto da leitura? O próprio agente do texto indica a explicação: trata-se dos grandes reinos que se sucederam no mundo e que oprimiam os filhos de Deus.
O leão é (a Babilônia); o urso e o leopardo (os povos dominadores: A Média e a Pérsia); a quarta e a mais terrível, significa (o reino de Alexandre Magno e seus sucessores), ou seja, especialmente, Antíoco IV, o perseguidor dos israelitas. Esse último rei está no poder, exatamente no período em que profetiza Daniel.
O melhor está aqui: o vidente contempla outra cena importante: no céu são instalados alguns tronos e um ancião (que simboliza o próprio Deus) senta-se para o devido julgamento.
Há um “final feliz”: Entra em cena a sentença: os animais são privados de poder e a última é trucida, destruída e atirada na fornalha (Dn 7,912).
Pois em, é nesse alvo que se encontra o texto. Daniel procura mostrar “um ser semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu”. Logo é possível chegarmos a esse denominador: É Deus confiando o seu poder, a glória e o reino. E mais: As Ações justas e misericordiosas em prol da vida não vêm do mar, com os seus monstros, mas do céu, de Deus.
Clareando melhor o que acabo de dizer no parágrafo anterior, a profecia se realizou em toda a sua plenitude só com a vinda de Jesus. Porque é Ele, não tenhamos dúvida, aquele que dá início ao Reino dos Santos do Altíssimo (Mc 14,62).

Segunda leitura (Ap 1,5-8)
                É incontestável a informação de que um cristão chamado João, autor de um dos Evangelhos, das Cartas (Primeira, Segunda e Terceira) e do chamado Apocalipse de São João, tenha vivido confinado numa ilha por confessar Jesus Cristo. Ele próprio se autodenomina João (1,1.4.9;22,8).
                O objetivo do autor é proporcionar coragem para os que fazem a comunidade da Ásia Menor (é possível ser exatamente aquela à qual ele pertencia), que está condenada a enveredar pela dispersão por causa da terrível perseguição.
                Antes de qualquer outra preocupação, João lembra aos fiéis cristãos a condição fundamental da fé: “Cristo é o príncipe dos reis da terra” (v. 5). Eis a razão da esperança para todos aqueles que ainda hoje são vítimas de injustiças: Jesus Cristo é o Senhor da nossa vida.
                Nele, cada cristão é sacerdote porque apresenta a Deus o único sacrifício que lhe agrada: a vida doada aos irmãos.
                A última parte da leitura (vv. 7-8) alude as palavras de Daniel: “Eis que Ele (Jesus) vem do meio das nuvens”, e todos poderão Vê-lo. É a concelebração da sua mais expressiva vitória.
                Atenção: Diante do sofrimento e injustiças da vida, jamais busquemos o revide diante dos nossos inimigos e também de Cristo. Não! Com Cristo, procuremos transformar os corações “deles”: reconhecerão os seus erros e se converterão ao Amor que, infelizmente, nem sempre é amado.

Evangelho (Jo. 18,33b-37)
               
Jesus Cristo, Rei do Universo. “Sou Rei! O meu Reino não é deste mundo”.
                A Festa de Cristo Rei encerra o Ano Litúrgico. Tem, por isso, uma dimensão escatológica e parusíaca: Ele há-de-vir de novo, no fim dos tempos, para julgar os vivos e os mortos e entregar o mundo ao Pai, que será tudo em todos. Ele é o Princípio e o Fim, o Alfa e Ômega.
Quem instituiu esta festa foi o Papa Pio XI, no ano de 1925. Foi uma iniciativa que teve como objetivo, pelo menos naquele momento, de contrariar os comportamentos laicistas e ateístas que continuam a desenvolver-se na sociedade.
                Algumas considerações sobre esta realidade:
                De que Reino se trata?
                Falar de realeza em tempo de democracia pode soar a saudosismo palaciano ou o triunfalismo. Mas trata-se de uma realeza de outra esfera, de outra dimensão: o reinado de Cristo é servir! Ele mesmo disse que veio “não para ser servido, mas para servir e dar a vida”. O seu Reino não é deste mundo. Reina desde a Cruz. Os reis e “príncipes” deste mundo (reis, presidentes, primeiros-ministros, etc.) muitas vezes servem-se a si mesmos, são narcisistas, gostam de poder. Não é assim com Jesus que se sacrificou por nós e fez da Cruz o Seu trono. O cristão tem de tentar “reinar” ao jeito de Jesus: servindo, sacrificando-se pelos irmãos. “Não podemos servir a dois senhores” – a nós (ou ao mundo) e a Deus. Devemos aderir de alma e coração ao Reino de Deus que está em Jesus Cristo e na Sua Igreja e dentro de nós: “o Reino de Deus está dentro de vós!” “Eu sou Rei!” “O meu jugo é suave, e leve a minha carga. Venha a nós o vosso Reino!”.
                Durante toda a sua vida pública, Jesus teve extremo cuidado para que não se desse uma interpretação política à sua missão. De quanto em vez, queriam fazê-lo rei, mas ele sempre procura evitar tratar de tal proposta.
                Tratando-se das características do Reino de Cristo, o Prefácio da Missa de hoje aponta algumas delas: Reino de Verdade (num mundo de tanta mentira verbal e vital) e de Vida (num mundo cheio de morte: aborto, eutanásia, terrorismo, guerras, homicídios, suicídios, assaltos mão-armada, perseguição política, etc. ...); Reino de justiça (tanta injustiça feita aos pobres!), de Amor (tanto ódio, ressentimentos e egoísmo!) e de Paz (entre tantas guerras e guerrilhas que começam dentro de nós e nas famílias). Outras características podiam inspirar-se nas bem-aventuranças.
                “É preciso que Ele reine!”, exclama São Paulo:
                Um fiel soldado deve estar ao lado dos seus superiores e nunca lhes voltar às costas. É necessário combater com eles e por eles! Antigamente celebrava-se hoje (domingo) a festa da Ação Católica. É preciso agir na sociedade. Ser sal e luz, num mundo insosso e às escuras. Mas muitos cristãos estão a cadência do indiferentismo, estão dormindo. Urge despertar. Todos à obra no apostolado, na evangelização, na ação sócio-caritativa, no testemunho verbal e vital. É preciso que Ele reine! Só Ele deve reinar! Com os três poderes: legislativo (cuja Constituição é o Evangelho, e Ele o Mestre), executivo (é Pastor, Servo) e judicial (é Juiz e Advogado universal dos direitos humanos – já vai fazendo justiça e há-de fazer no fim dos tempos: “Vinde, benditos de meu Pai...”).

                Propósitos
1)      Reinar desde a Cruz: foi assim que fez Jesus;
2)      Estar mais disposto a servir do que a ser servido;
3)      Combater pela verdade, pela justiça, pelo amor, pela paz.


Pe. Francisco de Assis

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