sábado, 1 de junho de 2013

Comentário litúrgico: 9º Domingo do Tempo Comum

A fé não admite fronteiras
Lc 7,1-10
            Para fins de uma maior compreensão a respeito do sentido teológico do texto, suponho a necessidade de saber quem é a pessoa desse centurião?
            O centurião na hierarquia militar romana era o sexto na cadeia de comando numa legião. Era o oficial responsável por comandar uma centúria, encarregado da disciplina e instrução da legião. O centurião era o equivalente a posto de capitão, na hierarquia militar no exército de um qualquer país. A centúria equivale a uma tropa de 80 soldados. Aliás, é um engano comum creditarem o nome ao número (centúria e 100).
            A figura dele é descrita por traços significativos, tais, a saber: não aparece o seu nome, o que, aliás, pode significar qualquer um de nós, é um pagão, simpatizante da religião e das práticas judaicas, às quais tem dedicado parte da sua fortuna construindo uma sinagoga.
            O centurião reconhece a dignidade de Jesus: aproxima-se dele por intermediários e não se atreve a hospedá-lo. O que mais importa é que crê no poder sobrenatural de Jesus. O mesmo reconhece que basta uma ordem de Jesus para que aconteça a cura.
            O relato desemboca de forma bem definida, demonstrando o centurião, não obstante ser pagão apresenta sua total expressão de fé no poder e na misericórdia de Jesus, dizendo-lhe: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa, mas dize uma palavra, e meu servo ficará curado”. E da parte de Jesus, a fé do centurião lhe causa uma profunda admiração. Jesus voltou-se para a multidão que o seguia e disse: “Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei uma fé tão grande”.
            Quanto à alusão feita a Carfanaum, é um detalhe é importante, pois, simbolicamente, esta cidade, às margens do Lago de Genesaré, abre a mensagem perspectiva para a missão de Jesus aos pagãos...
            Um outro detalhe, é que Lucas chama a devida atenção para a admiração-louvor que Jesus, de coração contrito e reconhecido, fez naquela ocasião, àquele militar, o centurião, pela sua maturidade de fé, por causa da cura do seu servo.
            A fé tem o seu segredo. “A fé é exatamente entregar-se, confiar plenamente em Jesus, e permitir que sua palavra conduza para além de tudo aquilo que, por nós mesmos não somos capazes de compreender e fazer”. A fé estende à mão a outra mão, clamando, proclamando e reclamando humildade: “Senhor eu não digno”. “A fé nos revela o que não podemos alcançar com a inteligência; ela é a substância das coisas que se esperam. A fé e o amor são os dois guias de cego que te conduzirão, através de caminhos desconhecidos, até os segredos de Deus”. (São João da Cruz).
            Aproximando-nos do tema deste domingo, é possível afirmar que a fé não admite fronteiras, chegamos a compreender a iniciativa do centurião em ajudar a resgatar entre os gentios e os judeus a vocação de Israel. Ou seja, agora tudo indica que Israel conseguirá promover a inclusão dos estrangeiros na ação misericordiosa de Deus. Agora, sim, Deus tem vez e voz na sua iniciativa libertadora. Por isso, tem razão Jesus quando luta em evitar de restringir sua missão ao povo israelita. Ele é a proposta de salvação que é oferecida a todos e a todas, valorizando os testemunhos amorosos, humildes e respeitosos das pessoas estrangeiras, a exemplo do senhor, o centurião.
            Como cristãos, não podemos admitir fronteiras na nossa prática missionária, porque a Palavra que liberta e promove não precisa pedir licença para agir em favor da vida de qualquer que seja o filho de Deus, pertencente a essa ou àquela cultura, membro desse ou daquele sistema religioso, que tenha esse ou aquele laço de sangue. Caso contrário, estaremos institucionalizando a prática da desprezível injustiça.
            Assim sendo, tem razão o que diz o velho Pedro na casa de Cornélio: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz discriminação entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença” (At 10,34-35).
            O trecho do Evangelho de hoje é concluído em consonância com a primeira leitura, conforme o episódio transferido a Jesus, aquilo que era pedido a Javé, ou seja, a oração de Salomão pede que Deus não deixe de escutar e atender a qualquer pedido dos estrangeiros, pois os horizontes distantes da fé são eliminados. E Jesus, atenciosamente, considera o pedido do estrangeiro porque a fé não admite fronteiras.

Para refletir:
         - Israel é interpelado pela fé, esperança e justiça que tem na Palavra de Deus a formar um só povo, uma só família.  E nós, como cristãos, como temos demonstrado a nossa fé na força da Palavra de Jesus? Atenção: precisamos olhar não só para nós, mas também para os outros que “estão fora” com a docilidade do Espírito.



- Paróquia da Imaculada Conceição -
Pe. Francisco de Assis Inácio


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